
O desmatamento nas florestas brasileiras começou no instante da chegada dos portugueses ao nosso país, no ano de 1500. Naquela época, as terras aqui eram tidas pelos colonizadores, como "terras de ninguém". Interessados no lucro com a venda do pau-brasil na Europa, os portugueses iniciaram a exploração da Mata Atlântica. As caravelas portuguesas partiam do litoral brasileiro carregadas de toras de pau-brasil para serem vendidas no mercado europeu. Enquanto a madeira era utilizada para a confecção de móveis e instrumentos musicais, a seiva avermelhada do pau-brasil era usada para tingir tecidos.Desde então, o desmatamento em nosso país foi uma constante. Depois da Mata Atlântica, foi a vez da Floresta Amazônica sofrer as conseqüências da derrubada ilegal de árvores. Em busca de madeiras de lei como o mogno, por exemplo, empresas madeireiras instalaram-se na região amazônica para fazer a exploração ilegal.Embora os casos da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica sejam os mais problemáticos, o desmatamento ocorre nos quatro cantos do país. Além da derrubada predatória para fins econômicos, outras formas de atuação do ser humano tem provocado o desmatamento. A derrubada de matas tem ocorrido também nas chamadas frentes agrícolas. Para aumentar a quantidade de áreas para a agricultura, muitos fazendeiros derrubam quilômetros de árvores para o plantio.O crescimento das cidades também tem provocado a diminuição das áreas verdes. O crescimento populacional e o desenvolvimento das indústrias demandam áreas amplas nas cidades e arredores. Áreas enormes de matas são derrubadas para a construção de condomínios residenciais e pólos industriais. Rodovias também seguem neste sentido. Cruzando os quatro cantos do país, estes projetos rodoviários provocam a derrubada de grandes faixas de florestas.Como vimos acima, o progresso econômico e financeiro de nosso país, ao longo desses mais de trezentos anos, ocorreu com consequências gravíssimas ao meio ambiente, ou seja, um preço altíssimo estamos pagando em decorrência disso. E não quero aqui nesse texto, me prender somente às questões ambientais e históricas, mas faço dessa parte introdutória, um pano de fundo para falar sobre o preço alto que nós pagamos em decorrência de nosso progresso espiritual. É sabido de todos, que ninguém progride espiritualmente, sem antes pagar um preço. Não se trata aqui de pagar pela "Salvação", se isso acontecesse, iríamos cair na velha fórmula utilizada pela "Igreja" no perído que antecedeu a Reforma Protestante no século XVI, onde os cristãos poderiam ter os seus pecados aniquilados, caso comprassem as chamadas "Indulgências". O preço que estou tratando aqui, se refere a renúncias no nosso dia-a-dia.Após fazer um discurso em sua defesa, censurando os Fariseus, o Senhor Jesus esclareceu os seus discípulos a respeito da necessidade de se pagar um preço muito alto, caso os discípulos quisessem ter uma vida de êxito espiritual. E Ele começa dizendo da seguinte forma: "... Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me." (Mt 16:24). Nesse versículo podemos extrair duas lições expressivas. Em primeiro lugar, o Mestre amado não obriga ninguém a seguí-lo, deixa as pessoas tomarem as suas próprias decisões, pois Deus deixou o livre arbítrio ao ser humano. Já em segundo lugar, o Senhor Jesus faz uma exigência notável, que eu considero aqui nesse texto o destaque principal, que é a questão da renúncia.É impossível seguir a Jesus sem pagar esse preço, tanto é, que o Mestre amado, deixa-nos claro, que seguí-lo implica primariamente em renunciar a si mesmo. E o termo "renuncie-se a si mesmo", está se referindo ao esvaziamento do ser humano, para dar lugar e ênfase ao Espírito Santo. O Apóstolo Paulo disse da seguinte forma aos irmãos da galácia, "... e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim." (Gl 2:20). Com esses dizeres de Paulo, está mais do que claro, que o Apóstolo dos gentios tinha de fato aprendido a lição com o seu professor por excelência, a ponto de dizer aos coríntios, "Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo" (I Co 11:1). Caso você prezador leitor, queira ter êxito na sua vida espiritual, lembre-se sempre, todo progresso tem o seu preço. Deus o abençoe!
Por Evangelista José Carlos Parra